Advogado corporativo, você já foi cliente interno do jurídico por 1 dia?

  • Katia Moura Rodrigues
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advogados de terno

Muito se debate quanto ao papel do departamento jurídico, especialmente a importância de ser parceiro dos negócios e conhecer a operação em que está inserido.

Por Victor Bastos, gerente jurídico da FTD Educação

Mas atingir a condição de parceiro exige antes forte exercício de uma qualidade importante, que é a empatia. Que tal praticá-la deixando o papel de advogado e tornando-se cliente interno do próprio departamento jurídico?

Fazer parte da equipe de suprimentos e solicitar um contrato?

Migrar para a área comercial e pedir a validação de uma estratégia de vendas?

Entrar na área contábil e solicitar um relatório de provisões?

Fazer parte do marketing e validar uma campanha de divulgação?

Às vezes pensamos que estamos atendendo o cliente da melhor forma, mas sempre sob a ótica do jurídico. Mas será que os clientes sentem isso também?

Qual reação é esperada pelo cliente ao solicitar um contrato e receber de volta um gigantesco e-mail com diversas exigências, pedidos de esclarecimento e várias esferas de validação?

Ter que liberar uma campanha de marketing em 48 horas, mas receber a informação de que o prazo não é viável?

Não é raro o jurídico dar uma resposta do que não deve ser feito, mas quando não envolve questões de integridade, o papel do jurídico é também dizer como deve ser feito!

Quando a imagem do jurídico para o cliente interno for burocrático, emperrado, mais preocupado com a forma do que o resultado, distante, engessado, prolixo, liguem o sinal de alerta!

E-mail não deve ser ferramenta que prolongue o sofrimento mas sim de cura para o paciente. Deve ser uma forma de dialogar e não de mero repasse de obrigações.

Qualquer sistema de gestão deve atuar a favor do jurídico, mas não pode ser um inimigo dos demais departamentos. Solicitação de contrato que faz o cliente interno imaginar estar pagando uma penitência por um grave pecado cometido não parece a melhor forma de parceria.

A comunicação virtual é importante mas ainda não inventaram uma ferramenta tecnológica que substitua com a mesma eficiência um genuíno diálogo pessoal, o popular olho no olho.

Não estamos aqui advogando que o departamento jurídico concorde com todas as demandas que surjam de seus clientes, mas que tal estabelecer regras do jogo que façam sentido para todos?

O cliente que busca o jurídico espera que seja oferecida uma solução razoável e viável. Se fosse para só ter seu problema aumentado, nem precisaria do departamento, ficaria com o problema para si.

Por isso, fica aqui o convite. Advogados corporativos, por um dia solicitem transferência, assumam um posto de trabalho junto aos seus clientes e solicitem uma demanda ao jurídico.

Ao chegar a resposta, avalie seu sentimento. E se a resposta não chegar ou for muito distante do que aguardava, avalie sua frustração. Depois retorne ao jurídico com essa lembrança e volte a atender seus clientes.

Você terá um excelente norte para entender o impacto da sua atuação, pois praticou a verdadeira empatia. E ao invés de gerar frustração, sua atuação certamente será fonte de satisfação, podendo ostentar com legitimidade o crachá de parceiro de negócios! Está lançado o desafio!

Matéria publicada no portal Análise, em 20 de Janeiro de 2020.
Confira 
aqui a matéria original.

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